Júri popular de segurança acusado de matar e estuprar Rayane Paulino após carona começa em Mogi

Michel Flor da Silva é suspeito de matar Rayane Paulino Alves — Foto: Natan Lira

Vítima de 16 anos tentava voltar para a casa após festa. Defesa afirma que ele cometeu o homicídio simples, mas que não há prova para estupro e ocultação de cadáver.

O júri popular do segurança Michel Flor da Silva, acusado de matar e estuprar a estudante Rayane Paulino Alves, de 16 anos, começou às 13h40, desta sexta-feira (30), no Fórum Criminal de Mogi das Cruzes em Brás Cubas.

A adolescente foi morta após uma carona do segurança. A vítima tentava voltar para a casa depois de uma festa.

Silva está preso desde a madrugada do dia 31 de outubro de 2018. Segundo a polícia, ele confessou ter matado a jovem.

Em fevereiro deste ano, participou de uma audiência de instrução no mesmo fórum onde será julgado, quando foi decidido que iria a júri popular.

O advogado de defesa do acusado, Wagner Arcanjo da Cruz, informou que Michel Flor da Silva diz que cometeu o homicídio, mas que não houve estupro e nem ocultação de cadáver.

“Foi cometido um homicídio simples, após eles terem tido uma relação consensual. São meras alegações do delegado, não há o que comprove o estupro e a ocultação de cadáver”, destacou.

Fila de interessados em assistir júri de Rayane se forma em frente ao fórum, em Mogi das Cruzes — Foto: Carolina Paes/TV Diário
Fila de interessados em assistir júri de Rayane se forma em frente ao fórum, em Mogi das Cruzes — Foto: Carolina Paes/TV Diário
Fila de interessados em assistir júri de Rayane se forma em frente ao fórum, em Mogi das Cruzes — Foto: Carolina Paes

Júri

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), o júri está marcado para começar às 13h. Devem ser ouvidas três testemunhas de acusação e duas de defesa, além do réu. O término está previsto para as 20h do mesmo dia.

O réu, que está preso em Guarulhos, chegou por volta de 9h30. Às 11h já se formava uma fila de pessoas interessadas em assistir ao júri.

De acordo com a organização, vão ser distribuídas 50 senhas, sendo que a família de Rayane já havia reservado 17 delas.

‘Falta sem tamanho’

Há pouco mais 10 meses, Marcio Paulino Alves, pai da adolescente, afirma viver com um buraco no peito, causado pela saudade de Rayane. Ele conta ser difícil de aceitar que a filha que ele sempre fez questão de acordar cedo para levar para a creche, depois ofereceu escola particular, já cursava inglês e tinha iniciado estágio em uma indústria automobilística de Mogi, foi vítima de uma “atrocidade”.

“Eu sinto uma falta que não tem tamanho. É um espaço assim, que não tem como ser preenchido. Ver as coisas que ela pensava, nas frases que ela deixou registradas, me ajuda um pouco melhor, mas não chega a 1% de todo o vazio que eu sinto. Eu já tinha visto outros pais que perderam os filhos, a gente diz que entende, mas é algo que não tem como mensurar”, afirma.

Rayane Paulino Alves, de 16 anos, desapareceu após festa em sítio de Mogi das Cruzes — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Rayane Paulino Alves, de 16 anos, desapareceu após festa em sítio de Mogi das Cruzes — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Em relação ao júri, Alves espera que Michel seja condenado com a pena máxima por todos os crimes; estupro e homicídio quadruplamente qualificado: motivo torpe, impedir defesa da vítima, asfixia e por ocultar a vantagem de outro crime, que seria o estupro.

“A condenação dele ameniza um pouco a minha dor, porque, só depois, vendo o processo, eu vi o quanto a minha filha sofreu. Ele poderia ter dado uma simples ajuda a ela, mas decidiu fazer essa atrocidade. É algo que eu vou carregar para o resto da minha vida. Dependendo do tempo que ele vai pegar de condenação, ele pode sair, terá a chance de aproveitar os filhos dele, mas eu não”, lamenta.

O caso

Rayane Paulino Alves, de 16 anos, desapareceu na madrugada de um domingo, no dia 21 de outubro de 2018, após sair de uma festa em um sítio no limite entre Guararema e Mogi das Cruzes. A estudante saiu do sítio e começou a andar no sentido Guararema.

No caminho, um motorista de transporte por aplicativo orienta a jovem que ela caminha no sentido contrário ao que queria ir, já que ela queria ir para casa, em Mogi das Cruzes. O homem a oferece carona até a rodoviária de Guararema, onde ela poderia pegar um ônibus.

Quando Rayane chegou ao local, conversou com o segurança Michel Flor da Silva, que ofereceu água e blusa, mas ela não aceitou. Depois, ele ofereceu uma carona e os dois saíram de carro.

Rayane ficou desaparecida por oito dias. O corpo dela foi encontrado uma semana depois, em uma área de mata, na Avenida Francisca Lerário, em Guararema.

De acordo com o delegado Rubens José Ângelo, Michel estava trabalhando na rodoviária como segurança e disse à polícia que, ao ver Rayane sozinha, se ofereceu para levá-la até a casa dela.

Para a polícia, ele já tinha a intenção de estuprar a jovem e, depois do crime sexual, matou Rayane asfixiada.

Na versão de Michel, Rayane disse que queria “curtir” e os dois decidiram ir para uma festa em Jacareí. No caminho, tiveram uma relação sexual e, depois, a jovem disse que ele havia abusado dela e iria chamar o pai, que era policial.

Ainda segundo o acusado, a vítima começou a bater nele, e ele deu um golpe mata-leão. Depois percebeu que ela ainda estava viva, então arrancou o cadarço da bota que ela usava e a asfixiou. Fonte: G1

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