Trump e Macron: embate permanente, agora sem confronto direto

Foto: ludovic Marin

Ambos os líderes deixam claras suas divergências sobre temas espinhosos como Irã e China, mas suavizam tom. Presidente francês busca protagonismo; americano, a moderação.

Dois presidentes aproveitaram a reunião do clube de países ricos do mundo para deixar explícitas suas divergências, num embate permanente em temas espinhosos — porém sem o habitual confronto direto. Aspirante ao posto de líder europeu, o anfitrião Emmanuel Macron pressionou Donald Trump a suavizar sua posição sobre Irã, mudanças climáticas e guerra comercial com a China.

A diferença em relação a encontros anteriores é que desta vez o presidente americano se mostrou contido: não despejou a habitual verborragia raivosa contra aliados tradicionais. Mas também não se comprometeu a destravar qualquer um dos tópicos, a menos que seus desafetos cedam.

E ainda ausentou-se da sessão em que os demais seis líderes decidiram enviar um pacote de US$ 20 milhões para ajudar Brasil e vizinhos a combater os incêndios na Floresta Amazônica. A reunião tratou de alterações climáticas e redução das emissões de carbono. A cadeira de Trump, que há dois anos pulou fora do Acordo de Paris, ficou vazia.

Cadeira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é vista vazia durante uma reunião sobre mudanças climáticas durante a Cúpula do G7 em Biarritz, na França, nesta segunda-feira (26)  — Foto: Ludovic Marin / Reuters
Cadeira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é vista vazia durante uma reunião sobre mudanças climáticas durante a Cúpula do G7 em Biarritz, na França, nesta segunda-feira (26) — Foto: Ludovic Marin

No domingo, segundo a imprensa americana, altos funcionários do governo Trump se queixaram de que Macron estava forçando a barra, incluindo temas politicamente corretos, e “questões de nicho”, como aquecimento global e desigualdade, na agenda da reunião.

O presidente americano mandou mensagens contraditórias sobre a guerra comercial com a China. Primeiro sugeriu ter dúvidas sobre a ampliação das tarifas, no que, novamente, seus assessores saíram em seu socorro, alegando que ele fora mal interpretado e não cogitava voltar atrás na pressão contra a China.

Na coletiva com Macron, Trump atenuou o tom, chamando o presidente Xi Jinping de “grande líder e homem brilhante”. Antecipou que a China quer um acordo, até agora não confirmado por Pequim, e desculpou-se, à sua maneira, pelas incertezas sobre um colapso econômico global: “É a forma como estou habituado a negociar.”

Avião do Irã em Biarritz, onde acontece o encontro de cúpula do G7 no domingo, 25 de agosto; o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif , esteve no evento — Foto: Regis Duvignau/Reuters
Avião do Irã em Biarritz, onde acontece o encontro de cúpula do G7 no domingo, 25 de agosto; o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif , esteve no evento — Foto: Regis Duvignau

Entre seus hóspedes em Biarritz, Macron incluiu o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, na tentativa de salvar o acordo nuclear e, também, provocar Trump. Aparentemente surpreendido, o presidente americano ignorou a visita.

Antes de deixar a França, o presidente americano não se curvou: fez questão de ressaltar que fora consultado por Macron sobre a vinda do chanceler iraniano. Considerou, contudo, ser ainda cedo para um contato com o Irã a menos que as circunstâncias mudem. Traduza-se por isso não uma mudança de liderança no país, mas uma nova atitude do regime em relação ao programa nuclear. “Eles precisam ser bons jogadores”, resumiu.

A chegada de Zarif foi interpretada como uma forma de Macron deixar claro o isolamento dos EUA diante do grupo. No ano passado, Trump abandonou o acordo nuclear assinado em 2015 entre seis potências e o Irã e ampliou as sanções ao regime dos aiatolás.

A temperatura rapidamente elevou no Oriente Médio, e o Irã deteve recentemente navios no Estreito de Hormuz, por onde circula diariamente um quinto do petróleo produzido no mundo. Macron se arvora como mediador nato, mas Trump demonstrou desprezo pela iniciativa do francês.

A reunião do G7 exibiu o presidente americano na sua versão mais moderada, falando em união do grupo e até em progressos com o Irã. Mas saiu de mãos abanando, sem conseguir convencer seus parceiros a trazer de volta ao clube a Rússia, suspensa após a anexação da Crimeia, em 2014.

Trump, contudo, acenou com o troco no próximo encontro, no ano que vem, quando será o anfitrião, possivelmente em seu resort de Miami. Com a lista de convidados sob seu controle, a presença de Vladimir Putin é dada como certa. Fonte: G1

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